Currículo Novo – Feynman e o Ensino Brasileiro

Talvez você tenha ouvido falar por aí que o Ministério da Educação está estudando mudanças no currículo do Ensino Médio. Essas mudanças tomariam como base a grade de matérias do Enem, que, segundo dados do MEC, tem sido considerado um método de avaliação mais eficiente do que os vestibulares.

A alteração básica seria agrupar as disciplinas independentes – como Português, História e Biologia – em quatro grupos semelhantes aos exigidos pelo Enem: Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens e Matemática. Assim, as matérias seriam estudadas de forma interdisciplinar e voltadas mais para aplicações práticas no cotidiano.

Parece uma mudança muito radical? Nem tanto. Para analisar melhor a ineficiência do sistema de ensino atual, gostaria de citar um cara chamado Richard Feynman.

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Resenha: A Insustentável Leveza do Ser

Já começo a resenha de hoje avisando que este livro é forte candidato a melhor que já li. Não que eu seja o cara mais culto que conheço.

Por mais famoso e conceituado que seja A Insustentável Leveza do Ser, confesso que o título já me causava uma certa preguiça. Tinha certeza de que era um daqueles textos maçantes, repletos de reflexões abstratas e sem um pano de fundo elaborado. Felizmente, queimei a língua logo nas primeiras páginas.

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Paradigma – O Experimento de Stephenson

paradigma s.m. Algo que serve de exemplo geral ou de modelo; padrão

No contexto social, paradigma é um comportamento considerado normal, que se repete no cotidiano e geralmente não é questionado. Arroz e feijão na hora do almoço, advogados que sempre andam de terno, Helena apaixonada pelo José Mayer, por aí vai.

Mas qual é a origem de um paradigma? Até que ponto somos modificados pelos hábitos ao nosso redor, e o quanto somos responsáveis por passá-los adiante? Em 1967, utilizando macacos rhesus como cobaias, o pesquisador Gordon R. Stephenson comandou um estudo na Universidade de Wisconsin para tentar obter essas respostas.

Simplificando, o experimento consistia no seguinte: um macaco era colocado numa jaula contendo um objeto simples e fácil de se manusear. Ao tentar interagir com este objeto, era punido por meio de jatos de ar. Após duas ou três punições, o macaco já havia aprendido a não manusear o objeto para não ser punido. Condicionamento simples. Este passou a ser chamado de Demonstrador.

Então, colocava-se na mesma jaula um segundo macaco, denominado Ingênuo, do mesmo sexo e idade do primeiro. Este novo macaco tentava se aproximar do objeto, mas era alertado (e às vezes até ameaçado) pelo Demonstrador para que não o fizesse. Um dos Demonstradores chegou a puxar um Ingênuo para longe do objeto, provavelmente com medo de que ambos fossem castigados com jatos de ar.

“VOCÊ VAI MATAR A TODOS NÓS, IMBECIL!”

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Tá aqui o seu direito

*Este post é melhor visualizado utilizando-se a música abaixo como trilha sonora*

 

Eis que na minha página inicial do Facebook surge isso aqui:

Que foto ridícula! Tenho certeza de que os internautas brasileiros, sempre críticos e conscientes em seus julgamentos, vão se manifestar contra essa exibição gratuita de ignorância e barbarid…

…deixa pra lá.

E olha que esses são os comentários mais elaborados. Tem uns piores aqui.

Tá mais do que certo, gente. Todo mundo sabe que os assaltantes, mendigos, seqüestradores e viciados são assim por livre e espontânea vontade, não é mesmo? O nosso governo dá comidaeducaçãosaúdemais saúdetransporte e até água potável!

Com todas essas oportunidades disponíveis, o indivíduo que entra na vida de criminoso tem que ser vagabundo mesmo.

 

O segredo do sucesso é frequentar a fila do SUS.

Tô tentando ser patriota, mas essa gente tá me desanimando.

Remição pela Leitura

Na última sexta-feira, 22, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e a Justiça Federal iniciaram um projeto que permite que os detentos reduzam sua pena por meio da leitura.

O programa Remição pela Leitura dará aos presos a chance de ler uma obra entre 21 e 30 dias e escrever uma resenha sobre ela. Se a redação for aprovada, a partir de critérios básicos como utilização correta de parágrafos, limitação ao tema e fidedignidade (não plagiar outras resenhas), a condenação do detento será reduzida em quatro dias. O programa estabelece um limite de 12 livros por ano, possibilitando uma redução de até 48 dias nesse período.

O projeto foi aprovado por meio de uma portaria e, a princípio, abrange apenas os detentos de penitenciárias federais (quatro, no total). Ainda assim, não deixa de ser uma proposta interessante para a reabilitação dos presos, considerando-se que cerca de 70% dos detentos brasileiros são reincidentes.

Um problema referente ao programa Remição pela Leitura é a garantia de que haja bibliotecas organizadas e com grande acervo para suprir as demandas dos voluntários. Para isso, existem campanhas de doação de livros para penitenciárias, como o organizado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).

PS: a criatividade do sistema gerou repercussão até na imprensa internacional, como no The Guardian, Daily Mail e CBC.

PS²: a portaria completa pode ser lida no Diário Oficial da União, aqui, se você tem estômago pra textos jurídicos.

Viés de Confirmação

Já notou que logo após aprender uma palavra nova, você começa a perceber o uso dela em vários textos de uma vez? Ou que quando aprende o nome de um ator, ele parece estar presente em metade dos filmes a que você assiste? Curioso, não?

Pode até parecer mera coincidência, mas não é. Apesar de muito sutil, esse fenômeno já foi observado por diversos intelectuais e estudiosos ao longo da história (as primeiras referências datam da Grécia Antiga), até que o psicólogo britânico Peter Wason formalizou o conceito e batizou-o de viés de confirmação (confirmation bias, em inglês).

Após realizar um experimento com voluntários, Wason concluiu cientificamente o que muitos autores famosos, como Dante Alighieri, Tolstói e Francis Bacon, já haviam mencionado: existe em nós uma tendência natural a buscar fatos que comprovem nossas opiniões, e ignorar evidências em contrário.

Não parece lá uma constatação muito genial a princípio. Soa até óbvio, se pararmos pra refletir a respeito. Mas fato é que o viés de confirmação afeta nossa percepção de mundo de um modo muito mais profundo do que imaginamos. E geralmente faz isso de modo nocivo.

Vamos analisar os exemplos citados no início do post. Quando aprendemos o significado de uma nova palavra, ela não surge magicamente em todos os textos que lemos. Essa impressão é causada porque a palavra fica fixada no nosso cérebro por um certo tempo, como uma idéia, e passamos a notar quando ela aparece numa frase, independentemente de quantas outras palavras conhecidas estejam contidas no texto. É como se, inconscientemente, ignorássemos as palavras que já conhecemos e procurássemos pela nova. O mesmo ocorre no caso do ator, antes desconhecido.

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RESENHA: O Advogado

Depois de quase três meses de abandono às traças, uma reunião da alta cúpula da Botequim Contemporâneo Enterprise S.A. (ou seja, eu) decidiu que estava na hora de atender ao chamado de Caetano e botar essa porra pra funcionar direito voltar a trabalhar nesse muy nobre e estimado blog de crítica.

Pra inaugurar a volta triunfal dos posts, hoje temos a resenha de uma obra que terminei de ler recentemente: O Advogado, de John Grisham.

 

 

Se você curte romances que tratam de causas sociais, “O Advogado” é uma leitura imprescindível. O livro é narrado pelo personagem Michael Brock, advogado da Drake & Sweeney, grande escritório de advocacia de Washington DC. Ambicioso e dedicado, ele faz incontáveis horas extras semanais e sonha em se tornar sócio da firma, e alcançar a riqueza e status que o cargo proporciona.

Porém, tudo muda quando um morador de rua invade o prédio da firma e toma Michael e outros oito advogados como reféns. Após sua libertação, Michael se vê intensamente envolvido com o cotidiano dos pobres, drogados e mendigos de Washington. Durante o processo, ele começa a questionar suas próprias motivações profissionais e larga seu emprego na Drake & Sweeney para trabalhar com Mordecai Green, advogado-chefe de uma clínica legal que oferece serviços gratuitos para indigentes. Mais do que isso, Michael descobre que seus antigos patrões estão envolvidos numa conspiração ilegal, cujas vítimas são seus novos clientes: os moradores de rua.

Apesar do uso recorrente de termos jurídicos, “O Advogado” não é uma leitura pesada e maçante. A avalanche de dados estatísticos reais sobre os indigentes na capital norte-americana, sempre pontuados pelo sarcasmo de Michael Brock, induz o leitor a uma visão diferente do mundo dos sem-teto. A narrativa é envolvente e passa a sensação vívida de uma história muito atual, mesmo tendo sido publicada em 1998. Vale muito a leitura.

Domingo Musical

Primeiramente, eu sei que esse blog parece ser só do Bruno e ele praticamente é só do Bruno, mas a gente releva, mas eu sumi por um bom motivo: estou trabalhando e estudando, então me falta tempo.

Acho que todos conhecem Joan Jett, né? Então para o clássico de hoje: Do you wanna touch.

E eu gostaria que vocês conhecessem Cícero. Eu gosto de músicas depressivas, portanto, adorei ele.

Domingo Musical

 

 

Como expulsar Deus em um passo simples

Você, jovem ateu militante do Estado Laico, está cansado de ouvir falar em Deus? Não aguenta mais escutar falar desse cara onipotente, onisciente e onipresente que vive julgando os atos das pessoas e mandando os outros pro inferno? Seus problemas acabaram: agora você pode expulsar Deus do seu país!

Pelo menos, é isso o que o deputado federal Marco Feliciano disse que os gays brasileiros vão fazer:

‘Tal grupo representa uma minoria, não destas que sofrem de verdade, mas que sob uma camuflagem de perseguição, tenta e consegue impor seu modo de vida promíscuo, seus pensamentos anti-família e anti-bons-costumes’, afirmou Feliciano em seu site.

Para encerrar com chave de ouro, ele teme que os gays, a quem chama de fascistas, consigam expulsar Deus do Brasil.

“O que virá a seguir? Que Deus nos ajude! E nos ajude logo, antes que, esses fascistas, expulsem de uma vez Deus da nação brasileira, como buscam exterminar programações religosas na TV”, apela Feliciano.

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